
A história de Mity alcançou mais de 78 milhões de visualizações no Weibo, na China. Após a repercussão, os responsáveis pelo projeto admitiram que a narrativa foi criada para reduzir o número de personagens virtuais do grupo.
O BABYQUEEN, grupo chinês de K-pop criado por inteligência artificial, está enfrentando críticas após seus responsáveis anunciarem que Mity, uma de suas integrantes virtuais, estava grávida. A história, apresentada como uma justificativa para o afastamento da personagem das atividades do grupo, viralizou nas redes sociais e provocou debates sobre o uso de experiências femininas como estratégia de divulgação.
Lançado em setembro de 2026, o BABYQUEEN conta com cinco integrantes fictícias e perfis nas redes sociais que documentam suas atividades. O projeto segue uma estética inspirada em grupos sul-coreanos de K-pop, mas seus integrantes são personagens geradas por inteligência artificial.
A controvérsia começou em 12 de outubro, quando a empresa fictícia de gerenciamento do grupo, BABYPVSSY Entertainment, anunciou que Mity estava grávida e entraria em licença-maternidade. No comunicado, a personagem supostamente suspenderia suas atividades para priorizar a própria saúde e se preparar para o nascimento do bebê. Os responsáveis também pediram que o público não especulasse sobre sua vida pessoal.
No dia seguinte, a própria conta de Mity publicou outra declaração confirmando a gravidez fictícia. A postagem foi acompanhada por uma imagem da integrante virtual deitada em uma cama, usando um pijama rosa.
A abordagem inusitada chamou a atenção do público e rapidamente ganhou repercussão na China. Segundo informações atribuídas ao South China Morning Post, o assunto ultrapassou 78 milhões de visualizações na plataforma chinesa Weibo.
A repercussão, porém, não ficou restrita à curiosidade. Muitos usuários questionaram como uma personagem criada por inteligência artificial poderia engravidar, enquanto outros ironizaram a situação e perguntaram quem seria o suposto pai da criança.
As críticas também envolveram o significado da narrativa escolhida pelos criadores. Conforme reportado pelo veículo Sixth Tone, parte dos usuários acusou os responsáveis pelo BABYQUEEN de banalizar as experiências reprodutivas das mulheres ao utilizar uma gravidez como recurso de divulgação.
Diante da reação negativa, os criadores explicaram o motivo por trás da história: a gravidez fictícia teria sido uma maneira de reduzir o número de personagens de inteligência artificial administradas no projeto. Assim, a narrativa sobre a gestação e o afastamento de Mity teria sido utilizada para justificar sua saída das atividades do grupo.
O episódio reacendeu discussões sobre os limites da criação de personagens virtuais e sobre a maneira como projetos de entretenimento baseados em inteligência artificial podem abordar temas ligados à vida humana. No caso do BABYQUEEN, a decisão de utilizar uma gravidez fictícia para explicar o afastamento de uma integrante transformou uma estratégia narrativa em motivo de controvérsia.
Fonte: dexerto





